Eu sou doente?, pergunta senador gay a Aras sobre carta contra união LGBT – Sistema Virtua
outubro 16, 2019
Brasil

Eu sou doente?, pergunta senador gay a Aras sobre carta contra união LGBT

Após quase duas horas de sabatina de Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a Procuradoria-Geral da República, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) fez o questionamento mais incisivo.

O parlamentar, primeiro homossexual assumido a assumir o cargo, perguntou se Aras não reconhece sua família, uma vez que o procurador assinou uma carta da Associação Nacional de Juristas Evangélicos se comprometendo com a pauta cristã.

Em nove páginas, a carta sustenta, entre outros pontos, que o procurador, se for aprovado para assumir o cargo, defenderá a preservação da família “como heterossexual e monogâmica”.

Também condiciona seu apoio ao processo de “cura gay”, “desde que seja uma decisão de consciência livre, deve ser facultado a qualquer pessoa tornar-se paciente em tratamento de reversão sexual, por motivos religiosos ou não”.

A suposta “cura gay” ou “terapia de conversão” é uma prática pseudocientífica não reconhecida pela psicologia clínica e banida em 15 estados americanos.

Em resposta aos questionamentos, Aras disse que “a Constituição disciplina essa questão de uma forma não contemporânea”, mas que ele “compreende todos os fenômenos sociais e humanos”.

Além disso, afirmou que não leu a carta inteira quando assinou e que, depois de ser cobrado, percebeu que “realmente o item que sugere as famílias heterossexuais e monogâmicas tem um enfoque que está superado pelas decisões do STF”.

Segundo o procurador, ele gostaria que no texto constitucional, que define casamentos, não houvesse as palavras “homem” e “mulher” e sim “pessoas”

O cotado para PGR disse, ainda, que não acredita em “cura gay”, porque ela é “anti-científica”. “A cura gay é uma das artificialidades das quais eu não tenho nenhuma consideração de ordem científica. Na medicina, o gênero é homem e mulher, na vida pessoal, cada um que faça sua escolha e seja respeitado como tal”.

O senador Fabiano Contarato, na tréplica, fez uma correção à fala de Aras “com todo respeito”: “não é escolha, não me deram um cardápio para eu escolher o que eu sou. Isso é uma condição de vida, apenas”.

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